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Justiça houve testemunhas e rés do caso Miguel em Tramandaí

Teve inicio nesta quinta-feira,18 as audiências onde são ouvidas 23 testemunhas do caso Miguel. Nesta quinta-feira a audiência iniciou por volta das 9h e até o final da tarde, quando os trabalhos foram encerrados, prestaram depoimento doze pessoas,  todas de acusação. Elas foram ouvidas na 1ª Vara Criminal da Comarca de. A audiência, comandada pelo juiz Gilberto Pinto Fontoura, apura as responsabilidades pela morte do menino Miguel dos Santos Rodrigues, sete anos, no final de julho.

Nesta sexta-feira 19, haverá o seguimento dos trabalhos quando serão ouvidas outras 11 testemunhas e as rés  acusadas de matar e ocultar o corpo do menino Miguel , a mãe Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues 26 anos e a sua companheira Bruna Nathiele Porto da Rosa 23 anos. Elas estão foram indiciadas por homicídio, tortura e ocultação de cadáver já que teriam jogado o corpo da criança no Rio Tramandaí.

Dentre as testemunhas, 20 foram convocadas pelo Ministério Público, sendo uma delas em comum com Yasmin, e três pela defesa de Bruna. O delegado que investigou o caso, Antônio Carlos Ractz Júnior, de Imbé, foi ouvido nesta quinta-feira sendo seu  depoimento foi o mais longo do dia e ratificou a conclusão de que as rés foram responsáveis pela morte de Miguel – cujo corpo teria sido jogado no Rio Tramandaí e nunca encontrado após cerca de seis semanas de busca pelo Corpo de Bombeiros. Questionado pelo magistrado, disse que tomou conhecimento do caso na noite da quinta, 29/7, alertado por uma policial civil de Tramandaí que desconfiou da frieza e tranquilidade de Yasmin quando foi relatar o desaparecimento do menino, 48 horas depois do ocorrido. Referiu também o Delegado que, como não havia sistema disponível na Delegacia de Tramandaí para o registro, orientou que o caso fosse encaminhado à delegacia de Imbé – para onde determinou o comparecimento de policial de sobreaviso e o próprio Delegado. Bruna e Yasmin foram levadas para Imbé por uma viatura da Brigada Militar, quando o caso toma novo rumo, conforme o Delegado. No caminho, Yasmin teria admitido ter jogado o corpo no rio. Diante da confissão, os policiais vão à casa onde as rés viviam com Miguel e fazem averiguações, apesar da negativa da mãe em deixar os polícias entrarem. A defesa dela questionou o Delegado sobre a legalidade desse procedimento de ingresso no apartamento.

Conforme os policiais militares que acompanharam as rés naquela ocasião, quando quiseram entra na casa, Yasmin tornou-se violenta e agrediu a um deles. Detida e algemada, mais ou menos nesse momento ela teria feito a confissão.

Nesse ínterim, já acreditando na hipótese de homicídio, Ractz Jr. contou que passou a instruir as primeiras diligências. “A gente ainda não sabia a dimensão do caso, disse.” Ao interrogar Yasmin, ouve o mesmo que os policiais, mas ela não admite ter matado o filho. Bruna ainda não aparecia como suspeita. A prisão preventiva de Yasmin é decretada na manhã seguinte.

A seguir, Ractz Jr. passou a discorrer sobre os motivos que o levam a creditar na culpa das rés pela morte de Miguel. Entende que o menino passou a ser um estorvo para as companheiras. O histórico de agressões físicas e emocionais se intensifica nos últimos dias antes da morte. Cita os cadernos com frases autodepreciativas que o menino era obrigado a ler, a manutenção dele dentro de casa, em ambiente insalubre, privado de alimentação decente, de lazer e ausente das atividades escolares.

Conforme o depoente, nas horas próximas ao desaparecimento, em acréscimo aos maus-tratos, Miguel havia sido agredido violentamente, antes de ser dopado e colocado na mala em que foi carregado até à beira da água e ser arremessado. Ractz Jr. pontuou que as provas periciais – material genético do menino encontrado na mala, que havia sido descartada, p.ex. e a dinâmica das imagens de vídeo que acompanham o trajeto das rés até o rio – comprovam a autoria do crime.

Os sete policiais civis e militares que depuseram relataram que Yasmin parecia tranquila, sem desespero, quando, em Tramandaí, foi relatar o desaparecimento da criança. Bruna, por sua vez, esteve quase sempre submissa à Yasmin, que pouco a deixava falar. Sem dar muito crédito à Bruna, os policiais contaram que em algum momento ainda na delegacia de Tramandaí ela teria dito algo como “menino mala, menino rio”, o que despertou a atenção dos policiais para que algo estranho poderia ter ocorrido .

Duas pessoas ouvidas relembraram de alguns poucos contatos com o menino alguns meses antes do fato, e que parecia uma criança normal, sem qualquer indício de desnutrição ou maus-tratos.

Já a dona da pousada onde viviam as rés quando Miguel desapareceu disse que nunca o viu em cerca de duas semanas de convívio no mesmo prédio. Segundo a depoente, ao alugar o apartamento, Yasmin teria dito que a criança estaria indo para casa da avó, em Paraí , mas, alguns dias depois, disse que o menino ainda estava com ela. E que pouco aparecia por que não gostava de sair.

Em depoimento por vídeo, a mãe de Yasmin disse via a filha como mãe zelosa e protetora com o menino, embora tenha sugerido que o neto Miguel ficasse em Paraí com ela.  Durante curto período em que conviveu com as rés, percebeu que Bruna era possessiva e sentia ciúmes de Yasmin com o menino, e que a relação as fazia reclusas. Disse que não consegue entender o que aconteceu, que não acredita que a filha possa ter matado a criança. “Meu coração não consegue assimilar, não é a mesma pessoa”, lamentou a avó.

A defesa de Yasmin chegou a pedir a suspensão da audiência, porque o delegado teria apresentado novas provas. No entanto, o magistrado negou e audiência foi mantida. O advogado da mãe da criança informou que vai aguardar o fim das duas audiências para se manifestar a respeito do caso. A defesa de Bruna ainda não se manifestou.

As acusadas estão presas preventivamente na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba.

JPN/TJ

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