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Transporte coletivo municipal de Capão da Canoa foi tema de debate na Câmara de Vereadores

Na tarde desta quarta-feira,25, foi realizada reunião pública na Câmara de Vereadores de Capão da Canoa onde foi discutida a situação do transporte coletivo municipal. Em Capão da Canoa este tipo de transporte é feito pela empresa CS Turismo e vem apresentando uma série de deficiências. Inicialmente populares apresentaram alguns problemas como atraso nos horários, lotação dos veículos, comportamento dos funcionários da empresa, situação dos ônibus, entre outras.

O radialista Rubenir Fernandes sugeriu que secretários municipais utilizassem o transporte para verificar a situação e melhorar a fiscalização. Logo depois, o secretário de Segurança, Mobilidade e Tecnologia, Claudiomir de Oliveira, apresentou um diagnóstico no transporte público em Capão da Canoa. O secretário iniciou sua apresentação mostrando problemas que estão afetando o setor em todo o país como a crescente inflação com o aumento de preços dos insumos relacionados ao transporte como peças, óleo diesel, pneus e salários.

O secretário salientou a queda no número de passageiros, ocasionado principalmente pela pandemia e que a recuperação está muito lenta. “Também devemos levar em consideração que a tarifa foi reajustada apenas duas vezes nos últimos 5 anos, em 2107 e 2020 e a concorrência com o transporte por aplicativo, que oferece baixas tarifas, afeta a qualidade do transporte. Com este desequilibrio é praticamente impossível haver aumento de linhas, por exemplo, para a Havan.” disse o secretário. Durante sua apresentação, o secretário se referiu a empresa Bototur de Imbé que não suportou a realidade e está deixando a concessão. Claudiomir informou que a prefeitura tem um contrato até 2028 com a empresa  CS Turismo e que este contrato diz que veículos grandes são uilizados na linha Curumim e lotação nas linhas Novo Horizonte e Capão Novo e que a empresa utiliza 18 ônibus.

O secretário citou a questão das isenções que são extensivas a idosos acima de 65 anos, deficientes físicos e seus acompanhantes, integrantes da segurança pública e 50% da tarifa para estudantes. ” Em abril foram  8.355 passageiros isentos na linha Capão Novo, 2808 na linha Curumin e 707 na linha Novo Horizonte”. disse. Claudiomir informou que a empresa CS disponibiliza um aplicativo com horários e demais informações e que a comunidade pode acessar o aplicativo e saber onde o ônibus está e falou também sobre a frequencia de horários. Em relação ao preço das tarifas de R$ 3,42 para as linhas Curumim e Novo Horizonte e R$ 3,99 para a linha Capão Novo, Claudiomir afirmou que a tarifa está defasada, inclusive com verificação através de sistema do Minstério dos Transportes  e que o valor deveria ser reajustada em 100%. ” Todos estes aspectos estão colaborando para o colapso do transporte público na cidade” disse.

Ao final de sua  fala, o secretário propôs algumas ações para viabilizar o transporte, entre elas, o reajuste das tarifas, revisão de isenções para idosos e revisão do passe livre para deficientes e outras categorias e ampliar, o Conselho de Segurança para Segurança e Mobilidade e também publicidade nos ônibus.

O diretor da CS Turismo, sr. Felipe explanou a atual situação da empresa ” Em dezembro de 2020 nossa frota era de 31 veículos, hoje temos 21 veículos. Vendemos 10 veículos para manter o serviço. A tarifa não cobre as despesas e em 5 anos tivemos 2 reajustes, quando o previsto era anual. Se todos pagassem a passagem nós teríamos uma outra situação e muitas vezes a isenção é utilizada de forma indevida. Hoje sou eu que faz o transporte em Capão, mas amanhã não sei. O exemplo da Bototur serve para todos os municípios da região. Em muitas viagens a quantidade de passageiros pagantes não cobre nem mesmo o óleo diesel.” Disse o diretor salientando que o passe livre para deficientes deveria ter critérios mais rigídos, hoje a média mensal de isenções é de 11 mil passageiros.

Com relação ao estado dos veículos, Felipe disse que os custos de manutenção são muito elevados. ” Eu tinha 6 pessoas na manutenção e hoje só tenho 2 e motoristas baixou de 29 para 21. Este mes é de reajuste para nossos funcionários e não sei como vou pagar. Nós precisaríamos comprar pelo menos 10 ônibus novos e não conseguimos comprar um e a média de idade dos ônibus é 15 anos. ” disse. Sobre as reclamações, o diretor falou que a implantação do aplicativo irá melhorar todo o sistema, mas o passageiro deve fazer uso dele diariamente. O diretor ainda citou o transporte clandestino e deu como exemplo o motorista de aplicativo que faz uma viagem do Centro para Capão Novo e na volta oferece o serviço nas paradas de ônibus, o que é ilegal.Felipe ainda informou que já demitiu motoristas por comportamento inadequado.

A vereadora Lavína Dias (PDT) falou que a iniciativa da reunião foi de extrema importância pois informações chegam aos vereadores em relação ao transporte coletivo, principalmente suas deficiências. ” Acredito que deva haver um bom senso para que todos sejam beneficiados, tanto a empresa como os usuários.” finalizou Lavínia.

O tema segue em debate e outros encontros deverão acontecer com o objetivo de prôpor soluções para o transporte coletivo municipal de Capão da Canoa.

No litoral Norte diversas cidade passam por situação semelhante, em Imbé na terça-feira,24, a empresa Bototur encaminhou requerimento para passar a concessão para a empresa São José que faz uma linha intermunicipal entre Imbé e Tramandaí e passa a fazer também o transporte municipal. Em Cidreira, a Transflor deixou de operar.  Em Osório e Arroio do Sal as empresas concessionárias também enfrentam sérios problemas financeiros.

 

JPN

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